Muitos
estudos dissertam sobre a importância da educação na qualificação de
profissionais, ampliando suas chances na disputa por uma vaga no mercado
de trabalho. Outros autores destacam como o acesso a um vasto arcabouço
de conhecimento promovido pela educação permite ao indivíduo estar mais
preparado para os desafios da vida, para muito além da sua carreira
profissional.
Prefiro destacar um autor que sempre
apontou a educação como um meio essencial para a construção de uma nova
sociedade. “Não é possível refazer este país, democratizá-lo,
humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente,
ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor”, ressaltava
o educador pernambucano Paulo Freire. “Se a educação sozinha não
transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”.
O Brasil acertou o caminho na direção de
mudar a sociedade e construir um novo país ao optar pela ampliação do
número de campi de universidades públicas federais e de Institutos
Federais de Ensino (IFETs). Nesse último caso, o governo federal
construiu 214 unidades em todo o país entre 2003 e 2010, passando a
atender todas as unidades da federação. No governo da presidenta Dilma,
há previsão de concluir outras 208 novas unidades. Mesmo com os
investimentos feitos a partir de Brasília, o Maranhão segue em uma
situação complicada. É, como em tantos outros rankings, o 3º pior na
relação vaga/habitantes. São 6 vagas em institutos federais para cada 10
mil maranhenses em busca de oportunidades.
No caso das universidades federais, no
mesmo período foram construídos 126 campi de universidades federais,
praticamente dobrando o número de ambientes acadêmicos no país. No
governo Dilma, o objetivo é ampliar para 321 campi, incluindo o
Maranhão.
É algo impressionante o potencial que um
campus universitário desse tem de dinamizar a realidade de uma região.
Tenho a alegria de testemunhar esse efeito, por exemplo em Grajaú,
campus que está nascendo a partir de projetos e emendas que fiz quando
deputado federal, atendendo à mobilização liderada por Simone Limeira e
outras importantes lideranças da cidade.
São necessárias novas atitudes como
essas para ampliar o acesso ao ensino superior em nosso estado que,
hoje, infelizmente, tem o menor percentual de vagas disponíveis por
habitantes em todo o país. No Maranhão, apenas 6% da população em idade
adequada pôde completar os estudos até o 3º grau.
Esses dados que muito nos entristecem
mostram que o Maranhão precisa de uma política de expansão da oferta do
ensino superior em todo o estado. Tenho andado pelo Maranhão e discutido
junto com a população a necessidade de ampliar o número de
universidades públicas e de dar melhores condições de funcionamento à
Universidade Estadual do Maranhão. Defendo que haja cinco novas
universidades espalhadas pelas diferentes regiões do Maranhão, cada uma
com autonomia, orçamento e administração. Assim, cada região poderá
desenvolver suas potencialidades a partir de investimento em educação,
tecnologia e inovação feito por meio da expansão do ensino superior.
Outra iniciativa que precisa ser
ampliada em nosso estado é o Programa Nacional de Acesso ao Ensino
Técnico e Emprego, o Pronatec. Atualmente ele atende 4 milhões de
pessoas no Brasil, focando em dois públicos: os cursos
técnico-profissionalizantes para jovens estudantes que recém concluíram o
ensino médio; e os cursos de qualificação para quem já está no mercado
de trabalho, com duração menor.
O Maranhão tem um potencial produtivo
enorme, no entanto a falta de incentivo do governo estadual à produção
faz com que, este ano, estejamos diante da perspectiva de ter o maior
déficit comercial da história do estado, por conta da queda das
exportações. Todos sabemos das condições naturais que temos, favoráveis
ao desenvolvimento, com um subsolo rico, terras férteis, bom regime de
chuvas, além de estarmos próximos de grandes centros consumidores como
Estados Unidos e Europa. Tampouco falta empenho a nosso bravo povo.
Estão faltando apoio à produção e universalização do acesso à educação,
ciência e tecnologia. É o que estamos buscando, por intermédio da boa
política.
Presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), foi deputado federal e juiz federal

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