SBPC, economia criativa e cidades criativas
Por: Joãozinho Ribeiro Data de Publicação: 18 de junho de 2012 às 09:39
Em meio aos sons das matracas da Maioba, clarins do Axixá, do pungar dos Crioulas, das mãos de preto no couro, dos suores, saberes e sabores espalhados por todos os cantos e encantos da Ilha de Upaon-Açu, dos Azulejos, ou como bem aprouver a cada um, foi decretado, democraticamente, o início da maior festa popular do Maranhão e de São Luís – o São João dos 400 Anos.
Diante de toda esta euforia que transforma a cidade quatrocentona num imenso arraial, recebo, na semana que passou, um honroso convite e uma preciosa informação do Dr. Alberto Dantas, atual diretor do Departamento de Assuntos Culturais da Universidade Federal do Maranhão – UFMA.
O convite é para proferir uma palestra durante a SBPC, que se realiza de 22 a 29 de julho do corrente em nossa capital, sobre o tema Economia Criativa. A informação preciosa a que me refiro, trata da elogiável iniciativa daquela instituição de ensino superior de, finalmente, implantar em nosso estado um Observatório Cultural.
Falar em Economia Criativa é falar de uma dimensão da cultura que até o momento não recebeu a merecida atenção de nossas autoridades e criadores, no que respeita a agenda de desenvolvimento que se encontra proposta, baseada na velha e surrada via das grandes obras; necessárias, porém sempre vinculadas aos interesses de restritas empreiteiras, bastante conhecidas, da falta de transparência e de controle social.
Falar em Economia Criativa é falar de uma admirável cadeia produtiva, vinculada aos direitos da propriedade intelectual, cuja matéria-prima é inesgotável, envolvendo uma série de pequenos e médios empreendedores, na produção de bens e serviços não poluentes, e de um potencial econômico muito mal explorado em nosso estado, que continua insistindo na via da espetacularização da cultura popular e na dependência crônica dos seus criadores e produtores culturais aos humores dos reguladores dos cofres públicos.
Um dado complicado que emerge deste emaranhado de interesses que se associam aos lucros que estas grandes festas populares propiciam em nosso estado, é a inserção de institutos e entidades privadas na vila, quer dizer, cena junina, acobertados pelo manto da filantropia, carreando recursos públicos, para o financiamento de suas atividades, mesmo contando com o patrocínio de fortes empresas do ramo de bebidas e congêneres.
Meu colega de coluna do JP, professor Manoel Rubim, em seu último artigo neste diário, fez uma brilhante abordagem sobre a passagem ao largo destas manifestações populares tradicionais das possibilidades de sustentabilidade, baseada nas potencialidades da Economia Criativa, hoje responsável por cerca de 10% do PIB do planeta.
No momento em que se discute o futuro das cidades e que, em particular, o futuro da nossa São Luís está, literalmente, em jogo, este tema – Economia Criativa – não pode, de modo algum, ficar de fora das agendas e dos debates promovidos por diferentes fóruns que brotam da sociedade civil organizada (ou não).
Da amiga particular Ana Carla Fonseca Reis, Doutora em Arquitetura e Urbanismo (USP), consultora internacional e conferencista em economia da cultura, economia criativa, cidades criativas e desenvolvimento local, recebo, no momento do fechamento deste artigo, a agradável notícia de dois lançamentos nesta semana que inicia, bastante afinados com o assunto em pauta, assim traduzidos pelo seu e-mail:
1) Na próxima quarta, dia 20/06, às 20h, ocorrerá o lançamento dos anais de um seminário que marcou história: o “Seminário Internacional Cultura e Transformação Urbana”, no SESC Belenzinho/SP.
Seminário este, realizado em novembro de 2011, que reuniu oito dos melhores especialistas do mundo neste tema: Danilo Santos de Miranda SESC/SP (Brasil), Donald Hyslop – Tate Modern Gallery (Inglaterra), Faith Lidell – Festival de Edinburgo (Escócia), Jorge Melguizo – BibloRed Parques e Bibliotecas (Colômbia), Mauro Munhoz – FLIP – Festa Literária de Paraty (Brasil), Olivier Caro – Ile de Nantes (França), Roberto Goméz de la Iglesia – c2+j – cultura, comunicação, inovação (Espanha) e Stephane Lavoie – TOHU (Canadá)
2) É com enorme satisfação que anuncio também o lançamento do curso “Economia Criativa e Cidades Criativas”, em uma instituição que é sinônimo de excelência no ensino da gestão no Brasil: a Fundação Getulio Vargas de São Paulo. Com 60 horas e um leque de 12 docentes de primeira linha, este curso consolida um passo gigantesco: o do reconhecimento da importância da capacitação em economia criativa e cidades.
Torço para que os vários movimentos, entidades e instituições interessados em qualificar o debate e incentivar a participação popular, em nossa capital, como é o caso do “Nossa Cidade”, da “Oficina Participativa de Planejamento Sustentável”, do “Papoético”, da SBPC, Universidades e tantos outros, dialoguem entre si e potencializem o papel da Economia Criativa na agenda das discussões.
Todos temos muito a ganhar com debates esclarecedores e informativos, dos quais possam surgir propostas legítimas para a melhoria da qualidade de vida dos habitantes desta cidade sofrida e querida, que completa em setembro próximo 400 anos de existência.
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