segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ex-presidente Lula inicia tratamento contra câncer


Lula: chances de cura são boas, e ele deve voltar à vida normal logo Por ordem do ex-presidente, que quer caso tratado com ‘transparência’ e sem ‘palpiteiros’, médicos dão entrevista para explicar situação. Câncer na laringe tem tamanho e agressividade ‘médios’, e diagnóstico precoce favorece cura. Lula passará por três sessões de quimioterapia até dezembro e radioterapia em janeiro. Terapia custará queda de cabelo mas deve afastar cirurgia.
Da Redação
BRASÍLIA – O câncer na laringe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi descoberto em estágio relativamente inicial, está circunscrito à região (não se alastrou), é do tipo mais comum, tem agressividade média e tamanho intermediário. Por causa destas características, as chances de cura são boas e as de cirurgia, remotas.
A tendência é que Lula supere a doença com pouca ou nenhuma sequela e volte a levar uma vida normal em breve, talvez a partir de fevereiro, quando o tratamento terminar.
As informações sobre o quadro clínico de Lula foram dadas à imprensa a pedido dele, nesta segunda-feira (31), em entrevista coletiva da equipe médica que cuidará do ex-presidente no hospital Sírio Libanês, em São Paulo.
Segundo os médicos, Lula quer o caso tratado com “transparência”, para evitar que informações imprecisas se espalhem por ação de “palpiteiros”, atitude semelhante à que teve a presidenta Dilma Rousseff quando passou pelo mesmo problema. O áudio da entrevista está disponível na internet na página do Instituto Cidadania, do qual o ex-presidente é patrono.
Os médicos disseram que só voltarão a dar entrevista se acontecer algo (de bom ou ruim)
durante o tratamento que justifique. E que vão prstar informações novas apenas por meio de boletins médicos.
O tratamento de Lula contra o tumor começou nesta segunda-feira, com a primeira sessão de quimioterapia. Serão três sessões ao todo, com intervalo de 21 dias entre uma e outra. Depois da segunda, já será possível avaliar como o paciente está reagindo. Em janeiro, com a quimioterapia encerrada, Lula vai se submeter a radioterapia, de forma complementar.
A quimioterapia é um tratamento “agressivo” e provocará queda de cabelo, motivo de curiosidade inicial do ex-presidente, segundo os médicos, quando ele soube que teria de enfrentar o tratamento. O impacto sobre a voz deverá ser mínimo ou nulo, mas, mesmo assim, o ex-presidente terá apoio de uma fonoaudióloga durante o tratamento.
Lula vai passar esta primeira noite no hospital, onde deve receber a visita da presidenta Dilma Rousseff. O porta-voz da Presidência, Rodrigo Baena, informou que Dilma irá ao hospital antes de cumprir uma agenda marcada para esta noite, também em São Paulo – a festa anual de premiação de empresas admiradas promovida pela revista Carta Capital.
O tumor de Lula foi detectado a partir de exames feitos sexta-feira (28) e de uma biópsia no sábado (29). Ele vinha se queixando de dor e incômodo na garganta e comentou com o médico particular, Roberto Kalil, na quinta (27) à noite, enquanto comemorava o aniversário de 66 anos numa pequena festa reservada em sua residência em São Bernardo do Campo.
De acordo com os médicos, as causas prováveis do surgimento do câncer foi o consumo de cigarro e álcool por parte de Lula. “O diagnóstico foi feito em estágio relativamente inicial (…). Pela localização e pela extensão do tumor, ele tem uma chance muito boa de não precisar de cirurgia”, disse o médico Luiz Paulo Kowalski. “Acreditamos que ele não tenha nenhuma dificuldade em retornar a uma vida absolutamente normal muito em breve”, afirmou o médico Artur Katz.
Caso o tratamento inicialmente prescrito seja bem sucedido e surta o efeito esperado, Lula terá condições de voltar a viajar e participar de agendas a partir de fevereiro. Mas terá que continuar tendo de receber acompanhamento médico para avaliar sua evolução clínica. A equipe diz que o risco de o câncer voltar é maior nos dois primeiros anos mas vai caindo até o quinto, quando então o paciente pode ser considerado curado de vez.
Segundo Kowalski, o tipo de câncer que atingiu Lula tem duas vezes mais chances de acontecer em São Paulo do que no resto do mundo.

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